sábado, 3 de abril de 2004
sexta-feira, 1 de junho de 2001
Bandit nervosa.





Tradicional encontro de motos em Martins-RN com passagem por Mossoró para o café da manhã na concessionária Suzuki, tendo como companheira a Bandit 1200cc ou a bonitona como carinhosamente Andréa a chamava. Acelerava que era uma beleza! Várias vezes pude acelar até 230km/h, indescritível. O encontro foi maravilhoso como sempre, clima serrano, muito agitado, muitos amigos e diversão garantida.
terça-feira, 2 de novembro de 1999
Natal - Galinhos de moto pela beira mar.








Acertamos eu e o amigo Ricardo Barros, para fazer Natal - Galinhos pela beira mar. Saímos em duas motos, uma XT600cc e eu na DR 350cc. Atravessamos o Rio Potengi, fizemos alguns contornos para evitar o tráfego proibido, e depois foi só acelerar. Dunas, muitas dunas e muita areia fôfa. Vários maceiós e finalmente Galinhos, já distante quase 200km de Natal. A volta como já era noite e com a maré super alta, tivemos que voltar pelas regioões de salinas, tivemos oportunidade de ver e fotografar caminhões literalmente carcomidos pelo sal, mas a experiência só foi repetida muito tempo depois de Land Rover.
sexta-feira, 10 de setembro de 1999
Serra da Capivara PI












Esse é um pequeno relato de uma viagem a Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato no Piauí com os amigos Ivan, Valdenor e Ricardo Barros.
Suzuki DR-350, moto muito especial, além de pequenas trilhas, onde ele mostrou seu ótimo desempenho, nessa viagem ela se superou.
Ricardo Barros XT-600, Ivan Nóbrega DR-800 e Valdenor de Saara 350. Programamos esta viagem de 10 dias a Serra da Capivara – PI onde todo o percurso seria feito exclusivamente por estrada de terra. Na viagem tivemos de tudo, desde pneu furado, passagens molhadas, coisa rara no nordeste, muita poeira, "puro polvo" tão fina como talco! em algumas situações até nos pegava de surpresa.
Saímos de Natal, e já no município de Parnamirim entramos na trilha. Apenas a minha moto e a do Ricardo estavam com pneus cross, ou seja 100% fora de estrada, os demais estavam com pneus de uso misto. O Valdenor mais experiente no asfalto, ainda brigava com a Saarazinha para doma-la na estrada de terra, faltava intimidade, só adquirida depois de alguns tombos, aliás, logo nos primeiros dois quilômetros já tinha sentido a textura do chão, essa foi a primeira de uma série de deitadas e pequenas quedas sem grandes consequências. Numa dessas quedas voltei para tira-lo de uma ribanceira bem acentuada, desta vez empenou a carenagem do farol dianteiro, e a Saara ficou clareando prá cima, como se diz "procurando macaco!!". O roteiro foi escolhido a dedo, de forma que houvesse o mínimo possível de asfalto pois só andaríamos no asfalto onde fosse necessário fazer pequenas conexões com outras trilhas. Fomos até Vera Cruz onde tomamos café e seguimos em frente numa trilha rápida e bastante conhecida nossa. Mais na frente paramos em Boa Saúde, pois eu estava desconfiado que os dois pequenos alforjes que eu levava estavam mal posicionados, o que na realidade aconteceu, minha bagagem encostou ao escapamento e queimou o alforje e algumas peças de roupas que eu levava. Fiz uma seleção do que dava para aproveitar, tudo acondicionado novamente tocamos viagem Muita trilha e muita adrenalina, nesse 1º dia dormimos em Souza-PB. No dia seguinte fomos conhecer o Rio do Peixe, e visitamos o Parque dos Dinossauros com várias pegadas e uma boa estrutura turística. Após a visita partimos em direção ao Ceará. Um dos fatos interessantes que pode-se observar que é que naturalmente quan-do pedíamos alguma informação relativo ao trecho que pretendíamos cobrir, há uma tendência natural das pessoas de sempre explicar o melhor caminho, o que nem precisa esclarecer que sempre escolhíamos o mais difícil. Sempre dizíamos “nós estamos procurando o pior!” Mas um dia de trilha e no segundo dia dormimos em Barbalha-CE. Aproveitamos a noite para dar uma lavadinha nas roupas, no caso das minhas já tinham virado "sulanca" depois do rescaldo do incêndio. Jantamos no hotel em seguida fomos descansar. No dia seguinte seguimos novamente para a trilha. As estradas ficavam cada vez pior e os trechos mais travados. As subidas de serra foram ficando mais técnicas como muitos trecho de areia fofa e muita pedra. Nas cidades por onde passávamos, pelos diversos estados como Paraíba, Pernambuco, Ceará e Piauí, passávamos por cidades muito pequenas que não eram roteiro de nada. As poucas pessoa que alí residiam, não tinham o costume de ver um grupo de motos com pilotos todos equipados com aquelas motos adesivadas. Normalmente perguntavam se era algum rally. Mas que juntava gente juntava! Teve lugar que fomos até intimados pelo delegado local a nos apresentar na delegacia para nos identificar-mos, já que estávamos causando um movimento diferente naquele lugarejo. No interiorzão do Piauí, passamos por um "Quilombola" perdido no meio da caatinga entre casas abandonadas. Não sei como uma comunidade sobrevive num lugar daquele, longe de tudo e de todos completamente isolada. Coisa do Brasil. Depois de quase 1400km dos quais uns 1200 de estrada de terra finalmente avistamos o Parque Nacional da Serra da Capivara, muito próximo de São Raimundo Nonato. O impacto do visual do Parque visto de cima já impressiona, até então não sabíamos o quanto seria interessante aquela visita.
A Serra da Capivara é um lugar fantástico o Parque nacional da Serra da Capivara, com 128.000 ha, foi criado em 1975 e tombado em 1991 pela Unesco, como reserva do patrimônio cultural da humanidade. Seu acervo arqueológico parece apontar para novos limites cronológicos quanto ao aparecimento de vida humana na América do Sul. Dos 400 sítios arqueológicos do parque, em pelo menos dez já foram encontrados vestígios de presença humana que podem alcançar mais de 40.000 anos, já tendo sido datadas pela técnica do carbono 14, pinturas com datações variando entre 8.000 e 18.000 anos, podendo quebrar uma antiga teoria arqueológica de que o homem americano tem apenas 12.000 anos na área e teria chegado via Ásia. Situado no vale do rio Piauí, na porção sudeste do estado do Piauí, entre as serras de Bom Jesus da Gurguéia a noroeste e serra dos Dois Irmãos a sudeste (na divisa com o estado da Bahia), o parque ocupa terras de três municípios: São Raimundo Nonato, Canto do Buriti e São João do Piauí. O sítio arqueológico mais importante do parque chama-se Boqueirão da Pedra Furada, onde estão pintadas no calcário 1.150 pinturas em vermelho, branco e cinza prateado. Pinturas que retratam o movimento em cenas de caça, danças, sexo, cerimônias, além de figu-ras de animais. O parque é administrado, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), por uma Organização não Governamental chamada Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), presidida pela arqueóloga Niéde Guidon, principal pesquisadora do parque. As condições de acesso ainda são precárias, mas após o tombamento pela Unesco, verbas internacionais viabilizaram um prédio para o museu, dois hotéis e um aeroporto, que está sendo construído em São Raimundo Nonato.
Segue abaixo a planilha de todo o trecho percorrido por nós onde optamos totalmente por estrada de terra passando por lugares ermos distantes e ao mesmo tempo empolgantes e fascinantes.
Cidades e pequenos povoados que passamos ao longo do trecho:
Rio Grande do Norte
Parnamirim 14km
Monte Alegre 28km
Lagoa Salgada 19km
Boa Saúde 17km
São José de Campestre 35km
Monte das Gameleiras 39km
Paraíba
Japi 24km
Cuité 26km
Picuí 34km
Rio Grande do Norte
Carnaúba dos Dantas 29km
Parelhas 32km
Santana do Seridó 9km
Paraíba
Santa Luzia 21km
São Mamede 23km
Patos 26km
Santa Terezinha 24km
Catingueira 15km
Emas 18km
Coremas 32km
São José da Lagoa Tapada29km
Marizópolis 33km
Carrapateira 36km
São josé de Piranhas 13km
Ceará
Monte Horebe 29km
Mauriti 37km
Brejo Santo 32km
Jardim Mirim 19km
Jardim 28km
Pernambuco
João Bento 27km
Moreilandia 19km
Timorante 49km
Bodocope 25km
Ouricuri 19km
Trindade 29km
Barra de São Pedro 26km
Vidéu 27km
Santa Filomena 66km
Piauí
Curral Novo do Piauí 26km
Paulistana 49km
São Francisco do Piauí 73km
Monte Alegre do Fidalgo 66km
São João do Piauí 59km
Coronel José Dias 69km
São Raimundo Nonato 38km
sexta-feira, 31 de julho de 1998
Visita a Bonito-MS e arredores.










No retorno da Bolívia, resolvemos voltar a Bonito-MS. O visual o charme do lugar a acolhida e a exuberancia do Pantanal Matogrossense e de encher os olhos. São rios com águas cristalinas onde literalmente nos confudimos com os peixes no seu habitat natural, as opções de lazer são inúmeras: cavernas, flutuações, trekking, canoagem rapel etc. Tudo isso sem dispensar a excelente gastronomia matogrossense nos inúmeros Hotéis Fazenda da região. Tudo isso sem dispensar uma atenção especial nos preços, costumam ser salgados.
quinta-feira, 30 de julho de 1998
Bolivia - Estrada do Inferno





Em 1998 a programação era até Machu Pichu mas a viagem mudou de rumo na Bolívia...
Programamos a viagem que seria até o Peru (Machu Pichu). Dessa vez o meu amigo Valdenor não pôde ir e planejamos a viagem eu e o Ivan um outro amigo também apaixonado por motos e que tem uma outra paixão em comum,é ciclista como eu, onde costumamos fazer mountain bike e cicloturismo.
Mesmo com muita informação sobre o trecho a ser percorrido tivemos alguns percalços. A primeira etapa da vigem foi feita aérea, até São Paulo. E enviamos as motos através de uma transportadora até Pres. Prudente. Ao retirarmos as motos da transportadora em Pres. Prudente, percebemos que ambas as motos estavam com o descanso lateral quebrados muito provavelmente tombaram dentro do caminhão. Acionamos a transportadora, mas quando vimos que a solução não ia ser tão ágil, resolvemos nós mesmos procurar uma oficina e consertar o descanso. Fizemos uns pequenos ajustes numa oficina e seguimos para Dourados em Mato Grosso. O inte-ressante é que íamos nos deslocando normalmente a uma velocidade constante de 110km/h e num determina-do ponto entramos num barzinho para descansar. Após fazermos um pequeno lanche, nos aprontamos para sair. O Ivan estava com dificuldades de ligar a moto. A moto insistia em não pegar. Fizemos todo o check-in de praxe, gasolina, mangueiras, centelha na vela, luzes, comutadores, fuzíveis e nada. O único lugar que não tínhamos condições de testar era a caixa de ignição eletrônica. Descobrimos na cidade mais próxima um me-cânico de motos. Era pouco antes do meio dia, levamos a moto do Ivan numa Pick-up até a cidade. Novos testes e o mesmo diagnóstico “ignição eletrônica” um técnico em eletrônica ainda tentou checar os circuitos eletrônicos, mas é impossível mexer naquela “caixa preta”. Resolvemos que o Ivan iria a Campo Grande conseguir uma peça e eu ficaria. O rapaz dono da eletrônica, muito gentilmente cedeu o seu carro para Ivan ir até Campo Grande. Passei a tarde toda esperando o Ivan pois Campo Grande estava a 200km de onde nós estávamos. Foi ficando a noite e eu já muito cansado fui procurar um hotel para me alojar. Já era mais opu menos 11 horas da noite. Fiz uma pequena pesquisa e na falta total de opção entrei num hotelzinho para che-car o quarto. Tive uma grande surpresa. A mulher me levou ao quarto lá nos fundos da pensão. Quando ela abriu o quarto que supostamente eu iria ficar, tive um enorme susto. Na cama tinha uma galinha deitada em cima do que seria o meu travesseiro, a mulher espantou a galinha e imagine tinha um ovo quentinho no tra-vesseiro. É claro que descartei o “hotel” ou “galinheiro”. Procurei outro não menos pior, mas pelo menos não tinha galinha chocando ovo no travesseiro. Quando o Ivan chegou eu já estava dormindo. No outro dia testa-mos o CDI que Ivan havia comprado na Oficina Patinhas em Campo Grande e a moto funcionou de primeira. Bronca resolvida, montamos a moto que praticamente estava com toda a instalação elétrica pendurada toca-mos para Dourados. Lembro um pouco da lamentação do colega pelo preço do CDI. Vai uma dica. Se a sua viagem for muito longa é importante negociar com a sua concessionária a venda de um CDI em consignação. Você leva como garantia e se caso não utilize devolve. A possibilidade de utilização é remota, mas é uma peça que dar um prego legal.
No caminho já próximo a Dourados estava bastante frio e resolvemos parar para almoçar. Paramos num restaurante self service e experimentamos um delicioso rodízio de peixes no melhor estilo da região. Ao chegarmos em Dourados, fomos recebidos pelo irmão da Nice que nos levou até a sua casa. Ficamos para assistir a o jogo do Brasil, pois estávamos em plena época da Copa do Mundo da França. O Ivan até cantou uma aposta, se o Brasil ganhasse ele mergulharia na piscina gelada, mesmo que para isso tivesse que tomar umas boas doses de wisky. Jogo perdido malas arrumadas, Ivan escapa do banho. No dia seguinte partimos para Corumbá, cidade que seria nosso ponto de saída do Brasil.
Nossa primeira falha. Pretendíamos embarcar as motos de trem e seguir até Santa Cruz de La Sier-ra, e de lá seguir rodando. Após muita trabalho na aduana Boliviana, (muita propina para expedição de sim-ples documentos.) conseguimos nos desembaraçar. Por um mal entendido tentamos embarcar em Porto Soa-res, quando deveríamos embarcar em Porto Quijarro ponto inicial de partida do trem. Após algumas horas descobrimos que as motos embarcariam mas não havia trem para nós no mesmo dia e que as motos iriam à frente. Resolvemos desfazer tudo e seguir pela estrada de terra. Estrada que não existe, o que existe é um caminho margeando a linha férrea, onde a maior parte do trecho e de uma areia fina que o pessoal do off road costuma chamar de (fesh-fesh) o que na realidade é uma anomatopéa pois o nome se deve ao barulho que ela faz ao contato do pneu. Ao anunciarmos que iríamos pela estrada, vimos a cara de spanto dos nativos. Outro disse “os brasilenos são mui macho” o que só mais tarde fui entender. Enfrentamos muitos rios com água na altura do motor com atoleiros e enormes pedras. Passamos por alguns povoados, já percebemos que iríamos ter problema com gasolina, pois os povoados eram muito pobres e desertos. No caminho numa curva bem fechada, deparamos com uma batida de carro entre um carro comum e um jipe do exercito Boliviano. Ficamos curiosos pois tratava-se de um Hummer, carro 4x4 usado pelos americanos na guerra do golfo e que é o sonho de consumo de qualquer um que goste do off-road. A pricípio os militares não deixaram fotografar, mas o Ivan conseguio ludibria-los e sacou duas fotos bem interessantes. Após esse incidente seguimos para Carmen onde abastecemos para em seguida tocarmos até Robore, uma cidadezinha com pouquíssima estrutura e per-dida no nada. Rodamos 270 km a uma média de 32km/h foi o dia mais cansativo da viagem. Depois de muito trabalho e procura, conseguimos nos alojar num hotel que para os padrões da cidade era o melhor. Todo o pessoal do consórcio Gasbol (Gasoduto Brasil-Bolivia) se hospedavam nesse hotel. No dia seguinte, já bem descansados e depois de um (desayuno) de apenas um cafezinho preto, estávamos dispostos a enfrentar no-vamente um dia de areia. Não sei se para nossa sorte ou azar, o Ivan tombou com a moto numa areia mesmo em frente uma agencia de passagens. Surgiu a possibilidade de continuarmos de trem. Muito embora o pesso-al que nos vendeu os bilhetes tenham nos “garantizado” que embarcaríamos, deu tudo errado. Bilhetes na mão, motos devidamente pesadas e despachadas, estávamos seguros que embarcaríamos finalmente para Santa Cruz de La Sierra. Passamos o dia ali pela estação, na cidade não tinha muito o que ver, a não ser con-versar com as nossas agentes de viagem no pequeno escritório que funcionava na sala da casa. Pelo menos isso de agradável. Após uma longa espera e até uma certa amizade com o chefe da estação, estávamos convic-tos que estava tudo caminhando na mais completa tranqüilidade, como eles mesmos diziam “puede ficar tran-quile”. À noite o trem da Empres Ferroviária Oriental S A , chegou. Derrepente a estação ficou superlotada de gente numa confusão de embarque e desembarque onde ninguém se entendia. Como havíamos comprado passagens de “brachas” ou seja de primeira classe, achávamos que íamos ter esse mesmo tratamento. Mas qual o que, na hota de colocar as motos para dentro do trem foi o maior sufoco. A DR-800 quase que não entra no pequeno compartimento de cargas, e quando colocamos ela lá dentro, simplesmente o espaço ficou entupido. Não cabia a moto de Ivan. Foi o maior sufoco, gente querendo ajudar que mais atrapalhava e a moto de Ivan não cabia. Quando finalmente colocamos a moto dentro, o pessoal da carga disse que não aceitava que a moto viajasse naquele espaço. Tentamos convence-lo como também o pessoal que nos vendeu a passa-gem, mas não houve argumento. Tentei a última cartada, ofereci 100 dolares para que nos deixasse viajar, mesmo que viajássemos no compartimento de carga com as motos e cederíamaos nossas poltronas confortá-veis mas o cara não queria acordo e até se ofendeu. A essas alturas o stress já estava bastante elevado a níveis de discurssão, o trem já apitava para sair, e estávamos na eminência de ir um e o outro ficar. Resolvemos tirar as duas motos e desfazer tudo que havíamos programado. Voltamos para aquela cidade horrorosa e fomos procurar alojamento. Como já estávamos próximo das 11 horas da noite, a cidade já estava praticamente fe-chada. Não conseguimos vagas nos hotéis ou nem abriam as portas. Finalmente vizinho a um hotel nos deram a informação que um senhor as vezes hospedava os excedentes de hotéis. Batemos a porta do Sr. E ele nos disse que no momento estava sem acomodações, mas ia ver o que podia fazer. Passou um pouco de tempo confabulando com sua esposa e logo em seguida veio com dois enormes cachorros e amarrou na sala. Pediu para que aguardássemos que eles estavam preparando as “habitaciones”. Colocamos as motos dentro da sala e ficamos assistindo a uma televisão preto e branco as 11.30 da noite matando muriçocas e aguardando a limpe-za e arrumação do quarto. Na realidade o quarto que nos alugaram era justamente onde estavam alojados os dois enormes cães. Colocaram duas camas e uma cortina fechando uma porta e fomos lavar o rosto numa pia que estava no chão, talves os .“hospedes” anteriores usassem para beber água, e fomos dormir o sono dos justos muito embora putos de raiva. No dia seguinte ao pé da cama de Ivan havia uma gata com uma ninhada de gatinho amamentando, foi o único momento de descontração.Após tomarmos o tradicional desayuno, re-solvemos então voltar e seguir por outro caminho, pois as informações que recebíamos do que faltava percor-rer, (500km) seria ainda os piores trecho, O esgotamento físico seria quase que inevitável. Voltamos ao ponto de partida, e só aí entendemos os risos do pessoal da estação quando aborrecidos dissemos que iríamos pela estrada, quando eles disseram “vocês são machos mesmos!”. A ida ao Peru foi abortada, mais em contra par-tida voltamos para Natal, passando por vários Parques Nacionais, visitamos Bonito MT, parque nacional da Chapada dos Veadeiros, novamente Chapada Diamantina, e finalmente Natal. Rodamos aproximadamente 9000km dos quais uns 3.500 de estrada de chão. Foi uma boa experiência neste tipo de terreno. Fizemos este percurso em uma DR 800 e um XT 600, onde sempre que era necessário alternávamos de moto, por limitação de peso e altura.
sábado, 15 de março de 1997
Aventurando: Natal - Caribe Venezuelano - Isla de Margarita.
Aventurando: Natal - Caribe Venezuelano - Isla de Margarita.Viagem ao Caribe. Saímos eu e o Valdenor eu na Suzuki DR 800 e o colega numa Ténéré 600. DR-800 novinha, devidamente revisada documentação em dia fotos batidas e tudo mais. Sempre que viajo gosto muito de bater uma foto da saída, até como avaliação do antes e depois. Na saída fomos acompanhados até Parnamirim pelo amigos Ricardo Morayama, Lafayete, Washington todos componentes do Grupo Cangacei-ros do Asfalto do qual fazemos parte. Já era a tarde e nossa primeira parada foi em Mossoró. Pernoitamos no Batalhão da PM e a noite liguei para meu filho para saber noticias e ele me disse que o “japonês” que estáva-mos esperando havia chegado. A historia do japonês é a seguinte: O cara saiu do Japão e estava dando uma volta ao mundo, já no Brasil em Santa Catarina, conheceu um amigo da Mira que informou a ele que se caso fosse passar em Natal entrasse em contato conosco. Pois é o Konijiru estava em Natal. Imediatamente pedi ao Orion meu filho, para entrar em contato com os Cangaceiros e que eles fizessem as honras da casa. Na reali-dade ele ficou hospedado na Mira, mas a galera deu o maior apoio a ele, inclusive fizeram revisão na moto dele uma Yamaha 225cc e também foram a Caruaru no encontro de motos. O japonês ainda passou uns 10 dias em Natal e depois seguiu viagem. Pelo o que eu soube ele foi até o Alaska. Quase que morre de frio e fome, pois a grana dele era escassa.
Mas voltemos a nossa viagem.
Saímos de Mossoró com destino a Belém, a viagem até lá transcorreu normalmente, chegando em Belém fomos até o cais para providenciar o embarque das motos e reservar nossos camarotes, pois como já havíamos numa outra viagem viajado naquelas embarcações, a opção de viajar de rede é totalmente descartada. Pega-mos o barco “João Lopes” O embarque foi tranqüilo, o cais estava na mesma altura do barco e dispensamos carregadores. Alojamos as motos no convés de cargas e fomos descansar. Nesse mesmo dia saímos rio acima em direção a Manaus pelo Rio Amazonas. Nosso desembarque estava previsto para Manaus após 5 dias e meio de subida, mas em conversa a bordo descobrimos que desembarcando em Itacoatiara ganharíamos quase um dia de barco, e que pelo asfalto seriam só 400 km que cobrimos em pouco mais de 3 hs. Já estávamos enjoados de tanto ouvir Reginaldo Rossi, e as músicas do Boi Garantido e Caprichoso nunca ouvi tanto brega na minha vida. As paisagens ribeirinhas são paradisíacas, encontra-se de tudo, palafitas, lindas plantações, criações de búfalos onde podíamos observar búfalos praticamente nadando para pastar, revoadas de pássaros exóticos como araras, papagaios e garças, grandes balsas transportando enormes toros de madeiras nobre. Não pude deixar de registrar o belíssimo pôr do sol no Rio Amazonas De Manaus seguimos para Boa Vista,onde faríamos uma pequena revisão na moto do Valdenor.
No momento dessa pequena manutenção, tivemos uma notícia bastante desagradável. O nosso co-lega Valdenor fez uma ligação para casa, e teve a desagradável notícia que a sua mãe tinha falecido. Puxa pensei, é um fim da viagem. Qualquer decisão que o colega tomasse com certeza eu acataria. Após uma breve conversa, e respeitando o sentimento do colega, aguardei sua reação. Ele me disse que seguiríamos a viagem e que Deus a tivesse em bom lugar, mas não havia mais nada o que fazer. A noite noite nos hospedamos e eu deixei o Valdenor com os seus sentimentos e fomos dormir. No dia seguinte ele aparentava estar com um bom astral e se animou para prosseguir a viagem.
Saímos de Boa Vista e seguimos em direção a Pacaraima, nesse percurso fizemos uma parada para conhecer a Pedra Bonita, um lugar muito bonito com ponte pendurada por cabos de aço bem interessante. Mais para frente atravessamos a reserva indígena dos índios Waimiri-Atroari correspondendo a 200km na mata em estrada de terra a 47 km da divisa dos estados do Amazonas e Roraima, e a 550 km de Boa Vista. Nesse trecho passamos pela linha do Equador onde um marco assinalava Lat. 00º 00’ 00’’, Long 60º 38’ 45’’ foi emocionante saber que estávamos cruzando a linha do equador. As estradas da região norte tem uma parti-cularidade, são as incontáveis pontes de madeira, algumas bem preservadas outras em péssimas condições que chega a dar arrepios na hora de passar pois tem muitas tábuas soltas. Com o tempo e o costume, já estávamos passando a 80km, não tomava nem conhecimento do barulho que ficava para traz. Uma característica dessa região é que como se trata de uma reserva indígena, os órgãos governamentais impõem restrições severas. Não é permitido adentrar nas reservas ribeirinhas, não é permitido parar para fotos com índios e também não é permitido entrar na reserva após às 18:00hs, pois a reserva fecha às 18:00 hs e só reabre as seis da manhã. No final da reserva encontramos um único posto de gasolina com duas bombas e um frentista que também era dono do único barzinho que tinha naquele fim de mundo. As bombas eram manuais e mais uma vez a presen-ça da BR no meio da selva. Seguimos para a cidade de Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Fizemos uma parada estratégica no Batalhão em Pacaraima onde o Major comandante do Batalhão da PM nos recebeu mui-to bem. No dia seguinte após os trâmites em Santa Helena de Uiaren, entramos na Venezuela através da Regi-ão da Gran Sabana, no Parque Nacional de Canaima um lugar lindíssimo de uma beleza exótica e impar. O lugar fica próximo do monte Roraima, é repleto de cachoeiras, saltos e cavernas, sem contar que o asfalto é impecável, passamos pela Cachoeira Kama Meru, Queda de Jaspe, Queda Pacheco, Kavana Yen, tudo isso numa altitude de 1300 mts ao nível do mar Após a Gran Sabana passamos por uma linda região montanhosa na serra de Lema parada num pequeno santuário para meditação e chegamos a uma cidadezinha chamada Oitenta e Oito, Estranhamos um pouco pela quantidade de barreiras policiais que tivemos que passar, depois nos disseram que aquela região é muito visada pelo fato de muitos garimpeiros circularem pela região. Os postos de gasolina sempre estavam fortemente vigiadas pelo exército, isso nos causava um estado de tensão permanente. Paramos no restaurante Cacetin Restaurant Angosturita onde abastecemos a barriga e a moto e disparamos para novos horizontes. Começamos a verificar que a gasolina é super barata aproximadamente 15 centavos o litro. Dormimos em Tumeremo e no dia seguinte fomos até uma oficina fazer uma solda na moto do Valdenor e aproveitamos para comer uma arepa, um sanduíche de jamon com queso e um jugo de meloco-ton. Tudo era novidade Vimos ainda as verdadeiras usinas ambulantes. Eram os caminhões americanos MACK que normalmente só vemos em filmes. Fomos até o litoral da Venezuela chegando a cidade de Porto La Cruz, Deixei a escolha do hotel com Valdenor, ficamos no Hotel Cristal Park, numa suíte para dois casais, um excelente hotel mas durante a nossa viagem foi a diária mais cara que pagamos, nosso amigo não tinha muita prática em negociar preços. A cidade é muito bonita, trata-se de uma cidade essencialmente turística com vários restaurantes bons. Pela primeira vez eu vi policiais fazendo patrulha em bikes o que até então só estávamos acostumados a ver em seriados americanos. A noite fomos andar no calçadão da praia. As pessoas são muito educadas, as venezuelanas são lindíssimas e estão sempre muito bem arrumadas e pintadas. Obser-vamos que elas estavam sempre muito bem maquiadas em qualquer ocasião até nas primeiras horas da manhã. De Port La Cruz pegamos um ferryboat para a “Isla de Margarita”, paraíso caribenho da costa venezuelana. A primeira novidade foi o embarque naquele enorme barco que abre o bico de proa para o cais e nele embarca todos os tipos veículos desde motocicleta a caminhões pesados, onde existe um sistema de elevadores hidráu-licos que vão amontoando os carros em plataformas uns sobre os outros. Para economizar compramos a classe turística, o que viemos mais tarde a nos arrepender, não existe conforto nenhum e são aproximadamente 5 horas de barco até a ilha. Durante a travessia passamos por várias ilhas lindíssima sem contar a beleza e a cor do mar caribenho. Logo na chegada, começamos a rodar sem destino certo, procurávamos um hotel, e casu-almente vimos que estávamos sendo seguidos por casal em um jipe. A garota falou em português com agente e então pediu para que parássemos. Era uma mineira casada com um venezuelano e que trabalhavam com passeios turísticos na ilha. Foi uma mão na roda. O casal nos levou para o hotel Maria Luisa, que por sinal está muito bem localizado e após o espanto e a surpresa de saber que viéramos de moto, marcamos um pas-seio no dia seguinte se não me engano por U$ 75,00 a diária. No dia seguinte fizemos um “tour” pela ilha perfazendo 250 km em volta da ilha. Andamos por diversas cidades e praias belíssimas, hotéis de altíssimo luxo, muitas enseadas, fortes e barcos de recreio etc. Fizemos algumas fotos. Fizemos um passeio pelo Parque Nacional Lacuna de La Restinga, onde tem uma imensa área de manguezais totalmente preservados. Obser-vamos os diversos Pelicanos tomando seu banho de sol e comendo peixes. Aproveitamos para também co-mermos nosso peixe a moda caribenha e tomamos banho de praia. Observamos que é muito comum os ven-dedores na praia oferecerem pérolas as mais variadas possíveis. É uma grande variedade de pérolas. Passamos pela igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde existe uma lenda que um determinado pescador tinha sofrido um grave acidente no pé por uma mordida de um peixe e seu pé estava com um ferimento de difícil cicatriza-ção. Conta a lenda que ele fez uma promessa para uma determinada santa da região que se ficasse bom do pé, a primeira pérola que ele conseguisse tirar do mar colocaria na igreja aos pés da imagem da santa. Curado ele foi ao mar. A primeira pérola que ele conseguiu pasmem, tinha o formato de um pé. Essa perola esta em ex-posição até hoje na capela da igreja da Nossa Senhora do Rosário. Após alguns dias de descanso, e passeios de Jipe pela ilha, algumas “arepas” e muito top less, alguns bonitos, outros caídos, mas todos muito exuberan-tes e que para nós era novidade ver em público. Conhecemos ainda um brasiliense que morava por lá, nos levou a uma churrascaria brasileira e nos deu uma boa acolhida. No outro dia fomos a um restaurante chinês, pois não gostaríamos de ter surpresas com uma comida que tirasse o nosso relógio biológico do horário. Três dias na ilha, resolvemos voltar. Na volta embarcamos no ferry “Cacica Isabel Conferry” mas desta vez viemos na primeira classe. Conhecemos uma família e fizemos amizade com algumas pessoas. Viemos tomando wiskey importado 12 anos servidos por nossos amigos, e pegamos o endereço para na volta conhecermos Maturim onde estava reservada uma acolhida na casa dos amigos, mas que infelizmente por motivo de uma forte chuva não conseguimos sucesso. Como a Ilha de Margarita e considerada zona franca, no desembarque os guardas da aduana quiseram fazer vistoria nas motos. Mostrei a documentação e o guarda ficou procurando o número do chassi da moto. Depois de quase cinco minutos que ele procurava o número do chassi eu pergun-tei o que ele queria (muito embora eu soubesse, fiquei tirando onda com a cara do guarda, ele não gostou muito, quando eu virei o guidon e apontei para a numeração.)
De volta a Porto La Cruz desta vez ficamos num hotelzinho mais fraco pois a grana estava já começando a ficar curta. A noite saímos para comer uma comida árabe que arruinou o estomago, mas isso é muito comum quando viajamos e experimentamos diferentes iguarias.
Fizemos todo o percurso de volta, optando por passar Maturin, cidade centro de uma das maiores regiões produtoras de petróleo da Venezuela, depois no meio de muita chuva atravessamos o Rio Orenoco, e tocamos de volta para a fronteira do Brasil. Novamente subimos uma linda região serrana, e cruzamos novamente a Gran Sabana. Demos uma parada na entrada da estrada que dava acesso ao monte Roraima. Um índio que se apresentou como guia, queria nos levar até o alto do monte. Ainda tentamos negociar, mas como o tempo corria contra nós, não havia a menor possibilidade de subirmos, pois entre subida e descida totalizava 3 dias que eram feito a pé. Entramos no Brasil e novamente ficamos em Pacaraima. No dia seguinte seguimos pra Boa Vista. Em Boa Vista, resolvemos dar uma esticadela até a Guiana. A estrada novamente era de terra e seguimos ate Lethem, um pequeno povoado a 700 milhas de Georgetown. Logo que atravessamos um peque-no rio em uma precária barca, já sentimos que estávamos noutro pais, pois fomos pedir informação numa pequena casa e os nativos parecidos com índios já responderam em inglês. Saímos pela estrada e nos primei-ros 100 metros encontramos uma placa em inglês, nos alertando que dali para frente era “mão inglesa” ou seja tudo ao contrário do que estamos acostumados a ver no resto do mundo. “WARNING MAINTAIN TO YOUR LEFT KEEP TO THE TIME LANE AT ALL TIMES Em Lethem fomos a Guyana Stored Limited onde existe um pequeno povoado para dar uma olhada nos importados. Não tem muita coisa interessante e o comercio é muito excipiente. Almoçamos no “Restaurant and Bar I and You” onde conversamos bastante com a dona do restaurante. A mesma nos disse que a cozinheira queria nos conhecer, eu disse brincando a comida é excelente e eu não só gostaria de conhece-la mais de leva-la para o Brasil. Quando a cozinheira veio lá de dentro eu me assustei. Era uma garota jovem de cor escura 1,90mts de altura com quase 90kgs eu disse só não levo por que já estou com muita bagagem e fica difícil acomoda-la na garupa, fizemos uma foto e pedimos desculpas pelas brincadeiras no melhor inglês que pude falar. Fizemos o caminho de volta até Ma-naus onde não poderíamos deixar de parar na cidade Presidente Figueiredo, que nada tem a ver com o nosso antigo presidente pois a referencia é a outro presidente de província. Em presidente Figueiredo ao longo da BR 174 ficamos na Pousada das Pedras, cujo proprietário é totalmente pinel, tipo maluco beleza. Tudo na pousada tinha uma história. Filho de um grande lojista de artigos militares em Manaus, vivia de comprar desmanches de prédio velhos e revender as peças de arte para novas construções. A noite ele nos contou uma história interessante. Disse que tinha comprado todo o desmanche de um velho casarão de Manaus. Quando estava fazendo as escavações para retirar adereços grades portas portões e lustres, encontrou um velho porão coberto de escombros, foi desenterrando aquele porão e descobriu uma escada. Dentro do porão além de ou-tras coisas estava um carro antigo em perfeitas condições. Ele não sabe como os antigos donos tinha colocado aquele carro dentro do porão pois não havia entradas e estava exatamente sob a casa, portanto não era uma garagem. Ele acha que o carro foi colocado lá ainda na construção da casa. Uma verdadeira relíquia que ele repassou para colecionadores. Antes de sair aproveitamos para comprar uma boina militar que até hoje ainda tenho.visitamos uma região belíssima de muitas cachoeiras, fizemos a “trilha da onça” tomamos banho em algumas cachoeiras passamos por pequenas pontes de madeira e corda suspensas sobre rios uma aventura típica da selva. Nessas andanças é muito comum encontrar algum ciclista viajando. Nessa não poderia ficar por menos . Próximo a Pres. Figueiredo encontramos o Antonio Carlos gaúcho que estava viajando com des-tino final a França. Tinha saído de bicicletas do Rio Grande do Sul, sozinho com mais de 35 kgs nos alforjes e conseguindo o custeio da viagem com assinatura de livro e com apoio de prefeituras e quartéis. A proposta dele era assistir a Copa do Mundo na França. Depois encontramos também um outro ciclista alemão o Martin que estava percorrendo as Américas, tinha saído do Ushuaia no extremo sul da Argentina e pretendia ir até o Alaska. No dia seguinte seguimos viagem para Manaus. Em Manaus eu sai para jantar e encontrei um outro japonês que estava também andando pelas Américas. Numa Yamaha 225cc Raid. A princípio eu achava que fosse o Konijiru mas não mas as condições de viagem praticamente as mesmas. Fizemos uma parada para descanso e no dia seguinte embarcamos para Belém, desta vez num barco mais confortável. Em terra firme tocamos para Natal. Nesta viagem rodamos aproximadamente 10.500 km e navegamos aproximadamente 4.000.
Mas voltemos a nossa viagem.
Saímos de Mossoró com destino a Belém, a viagem até lá transcorreu normalmente, chegando em Belém fomos até o cais para providenciar o embarque das motos e reservar nossos camarotes, pois como já havíamos numa outra viagem viajado naquelas embarcações, a opção de viajar de rede é totalmente descartada. Pega-mos o barco “João Lopes” O embarque foi tranqüilo, o cais estava na mesma altura do barco e dispensamos carregadores. Alojamos as motos no convés de cargas e fomos descansar. Nesse mesmo dia saímos rio acima em direção a Manaus pelo Rio Amazonas. Nosso desembarque estava previsto para Manaus após 5 dias e meio de subida, mas em conversa a bordo descobrimos que desembarcando em Itacoatiara ganharíamos quase um dia de barco, e que pelo asfalto seriam só 400 km que cobrimos em pouco mais de 3 hs. Já estávamos enjoados de tanto ouvir Reginaldo Rossi, e as músicas do Boi Garantido e Caprichoso nunca ouvi tanto brega na minha vida. As paisagens ribeirinhas são paradisíacas, encontra-se de tudo, palafitas, lindas plantações, criações de búfalos onde podíamos observar búfalos praticamente nadando para pastar, revoadas de pássaros exóticos como araras, papagaios e garças, grandes balsas transportando enormes toros de madeiras nobre. Não pude deixar de registrar o belíssimo pôr do sol no Rio Amazonas De Manaus seguimos para Boa Vista,onde faríamos uma pequena revisão na moto do Valdenor.
No momento dessa pequena manutenção, tivemos uma notícia bastante desagradável. O nosso co-lega Valdenor fez uma ligação para casa, e teve a desagradável notícia que a sua mãe tinha falecido. Puxa pensei, é um fim da viagem. Qualquer decisão que o colega tomasse com certeza eu acataria. Após uma breve conversa, e respeitando o sentimento do colega, aguardei sua reação. Ele me disse que seguiríamos a viagem e que Deus a tivesse em bom lugar, mas não havia mais nada o que fazer. A noite noite nos hospedamos e eu deixei o Valdenor com os seus sentimentos e fomos dormir. No dia seguinte ele aparentava estar com um bom astral e se animou para prosseguir a viagem.
Saímos de Boa Vista e seguimos em direção a Pacaraima, nesse percurso fizemos uma parada para conhecer a Pedra Bonita, um lugar muito bonito com ponte pendurada por cabos de aço bem interessante. Mais para frente atravessamos a reserva indígena dos índios Waimiri-Atroari correspondendo a 200km na mata em estrada de terra a 47 km da divisa dos estados do Amazonas e Roraima, e a 550 km de Boa Vista. Nesse trecho passamos pela linha do Equador onde um marco assinalava Lat. 00º 00’ 00’’, Long 60º 38’ 45’’ foi emocionante saber que estávamos cruzando a linha do equador. As estradas da região norte tem uma parti-cularidade, são as incontáveis pontes de madeira, algumas bem preservadas outras em péssimas condições que chega a dar arrepios na hora de passar pois tem muitas tábuas soltas. Com o tempo e o costume, já estávamos passando a 80km, não tomava nem conhecimento do barulho que ficava para traz. Uma característica dessa região é que como se trata de uma reserva indígena, os órgãos governamentais impõem restrições severas. Não é permitido adentrar nas reservas ribeirinhas, não é permitido parar para fotos com índios e também não é permitido entrar na reserva após às 18:00hs, pois a reserva fecha às 18:00 hs e só reabre as seis da manhã. No final da reserva encontramos um único posto de gasolina com duas bombas e um frentista que também era dono do único barzinho que tinha naquele fim de mundo. As bombas eram manuais e mais uma vez a presen-ça da BR no meio da selva. Seguimos para a cidade de Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Fizemos uma parada estratégica no Batalhão em Pacaraima onde o Major comandante do Batalhão da PM nos recebeu mui-to bem. No dia seguinte após os trâmites em Santa Helena de Uiaren, entramos na Venezuela através da Regi-ão da Gran Sabana, no Parque Nacional de Canaima um lugar lindíssimo de uma beleza exótica e impar. O lugar fica próximo do monte Roraima, é repleto de cachoeiras, saltos e cavernas, sem contar que o asfalto é impecável, passamos pela Cachoeira Kama Meru, Queda de Jaspe, Queda Pacheco, Kavana Yen, tudo isso numa altitude de 1300 mts ao nível do mar Após a Gran Sabana passamos por uma linda região montanhosa na serra de Lema parada num pequeno santuário para meditação e chegamos a uma cidadezinha chamada Oitenta e Oito, Estranhamos um pouco pela quantidade de barreiras policiais que tivemos que passar, depois nos disseram que aquela região é muito visada pelo fato de muitos garimpeiros circularem pela região. Os postos de gasolina sempre estavam fortemente vigiadas pelo exército, isso nos causava um estado de tensão permanente. Paramos no restaurante Cacetin Restaurant Angosturita onde abastecemos a barriga e a moto e disparamos para novos horizontes. Começamos a verificar que a gasolina é super barata aproximadamente 15 centavos o litro. Dormimos em Tumeremo e no dia seguinte fomos até uma oficina fazer uma solda na moto do Valdenor e aproveitamos para comer uma arepa, um sanduíche de jamon com queso e um jugo de meloco-ton. Tudo era novidade Vimos ainda as verdadeiras usinas ambulantes. Eram os caminhões americanos MACK que normalmente só vemos em filmes. Fomos até o litoral da Venezuela chegando a cidade de Porto La Cruz, Deixei a escolha do hotel com Valdenor, ficamos no Hotel Cristal Park, numa suíte para dois casais, um excelente hotel mas durante a nossa viagem foi a diária mais cara que pagamos, nosso amigo não tinha muita prática em negociar preços. A cidade é muito bonita, trata-se de uma cidade essencialmente turística com vários restaurantes bons. Pela primeira vez eu vi policiais fazendo patrulha em bikes o que até então só estávamos acostumados a ver em seriados americanos. A noite fomos andar no calçadão da praia. As pessoas são muito educadas, as venezuelanas são lindíssimas e estão sempre muito bem arrumadas e pintadas. Obser-vamos que elas estavam sempre muito bem maquiadas em qualquer ocasião até nas primeiras horas da manhã. De Port La Cruz pegamos um ferryboat para a “Isla de Margarita”, paraíso caribenho da costa venezuelana. A primeira novidade foi o embarque naquele enorme barco que abre o bico de proa para o cais e nele embarca todos os tipos veículos desde motocicleta a caminhões pesados, onde existe um sistema de elevadores hidráu-licos que vão amontoando os carros em plataformas uns sobre os outros. Para economizar compramos a classe turística, o que viemos mais tarde a nos arrepender, não existe conforto nenhum e são aproximadamente 5 horas de barco até a ilha. Durante a travessia passamos por várias ilhas lindíssima sem contar a beleza e a cor do mar caribenho. Logo na chegada, começamos a rodar sem destino certo, procurávamos um hotel, e casu-almente vimos que estávamos sendo seguidos por casal em um jipe. A garota falou em português com agente e então pediu para que parássemos. Era uma mineira casada com um venezuelano e que trabalhavam com passeios turísticos na ilha. Foi uma mão na roda. O casal nos levou para o hotel Maria Luisa, que por sinal está muito bem localizado e após o espanto e a surpresa de saber que viéramos de moto, marcamos um pas-seio no dia seguinte se não me engano por U$ 75,00 a diária. No dia seguinte fizemos um “tour” pela ilha perfazendo 250 km em volta da ilha. Andamos por diversas cidades e praias belíssimas, hotéis de altíssimo luxo, muitas enseadas, fortes e barcos de recreio etc. Fizemos algumas fotos. Fizemos um passeio pelo Parque Nacional Lacuna de La Restinga, onde tem uma imensa área de manguezais totalmente preservados. Obser-vamos os diversos Pelicanos tomando seu banho de sol e comendo peixes. Aproveitamos para também co-mermos nosso peixe a moda caribenha e tomamos banho de praia. Observamos que é muito comum os ven-dedores na praia oferecerem pérolas as mais variadas possíveis. É uma grande variedade de pérolas. Passamos pela igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde existe uma lenda que um determinado pescador tinha sofrido um grave acidente no pé por uma mordida de um peixe e seu pé estava com um ferimento de difícil cicatriza-ção. Conta a lenda que ele fez uma promessa para uma determinada santa da região que se ficasse bom do pé, a primeira pérola que ele conseguisse tirar do mar colocaria na igreja aos pés da imagem da santa. Curado ele foi ao mar. A primeira pérola que ele conseguiu pasmem, tinha o formato de um pé. Essa perola esta em ex-posição até hoje na capela da igreja da Nossa Senhora do Rosário. Após alguns dias de descanso, e passeios de Jipe pela ilha, algumas “arepas” e muito top less, alguns bonitos, outros caídos, mas todos muito exuberan-tes e que para nós era novidade ver em público. Conhecemos ainda um brasiliense que morava por lá, nos levou a uma churrascaria brasileira e nos deu uma boa acolhida. No outro dia fomos a um restaurante chinês, pois não gostaríamos de ter surpresas com uma comida que tirasse o nosso relógio biológico do horário. Três dias na ilha, resolvemos voltar. Na volta embarcamos no ferry “Cacica Isabel Conferry” mas desta vez viemos na primeira classe. Conhecemos uma família e fizemos amizade com algumas pessoas. Viemos tomando wiskey importado 12 anos servidos por nossos amigos, e pegamos o endereço para na volta conhecermos Maturim onde estava reservada uma acolhida na casa dos amigos, mas que infelizmente por motivo de uma forte chuva não conseguimos sucesso. Como a Ilha de Margarita e considerada zona franca, no desembarque os guardas da aduana quiseram fazer vistoria nas motos. Mostrei a documentação e o guarda ficou procurando o número do chassi da moto. Depois de quase cinco minutos que ele procurava o número do chassi eu pergun-tei o que ele queria (muito embora eu soubesse, fiquei tirando onda com a cara do guarda, ele não gostou muito, quando eu virei o guidon e apontei para a numeração.)
De volta a Porto La Cruz desta vez ficamos num hotelzinho mais fraco pois a grana estava já começando a ficar curta. A noite saímos para comer uma comida árabe que arruinou o estomago, mas isso é muito comum quando viajamos e experimentamos diferentes iguarias.
Fizemos todo o percurso de volta, optando por passar Maturin, cidade centro de uma das maiores regiões produtoras de petróleo da Venezuela, depois no meio de muita chuva atravessamos o Rio Orenoco, e tocamos de volta para a fronteira do Brasil. Novamente subimos uma linda região serrana, e cruzamos novamente a Gran Sabana. Demos uma parada na entrada da estrada que dava acesso ao monte Roraima. Um índio que se apresentou como guia, queria nos levar até o alto do monte. Ainda tentamos negociar, mas como o tempo corria contra nós, não havia a menor possibilidade de subirmos, pois entre subida e descida totalizava 3 dias que eram feito a pé. Entramos no Brasil e novamente ficamos em Pacaraima. No dia seguinte seguimos pra Boa Vista. Em Boa Vista, resolvemos dar uma esticadela até a Guiana. A estrada novamente era de terra e seguimos ate Lethem, um pequeno povoado a 700 milhas de Georgetown. Logo que atravessamos um peque-no rio em uma precária barca, já sentimos que estávamos noutro pais, pois fomos pedir informação numa pequena casa e os nativos parecidos com índios já responderam em inglês. Saímos pela estrada e nos primei-ros 100 metros encontramos uma placa em inglês, nos alertando que dali para frente era “mão inglesa” ou seja tudo ao contrário do que estamos acostumados a ver no resto do mundo. “WARNING MAINTAIN TO YOUR LEFT KEEP TO THE TIME LANE AT ALL TIMES Em Lethem fomos a Guyana Stored Limited onde existe um pequeno povoado para dar uma olhada nos importados. Não tem muita coisa interessante e o comercio é muito excipiente. Almoçamos no “Restaurant and Bar I and You” onde conversamos bastante com a dona do restaurante. A mesma nos disse que a cozinheira queria nos conhecer, eu disse brincando a comida é excelente e eu não só gostaria de conhece-la mais de leva-la para o Brasil. Quando a cozinheira veio lá de dentro eu me assustei. Era uma garota jovem de cor escura 1,90mts de altura com quase 90kgs eu disse só não levo por que já estou com muita bagagem e fica difícil acomoda-la na garupa, fizemos uma foto e pedimos desculpas pelas brincadeiras no melhor inglês que pude falar. Fizemos o caminho de volta até Ma-naus onde não poderíamos deixar de parar na cidade Presidente Figueiredo, que nada tem a ver com o nosso antigo presidente pois a referencia é a outro presidente de província. Em presidente Figueiredo ao longo da BR 174 ficamos na Pousada das Pedras, cujo proprietário é totalmente pinel, tipo maluco beleza. Tudo na pousada tinha uma história. Filho de um grande lojista de artigos militares em Manaus, vivia de comprar desmanches de prédio velhos e revender as peças de arte para novas construções. A noite ele nos contou uma história interessante. Disse que tinha comprado todo o desmanche de um velho casarão de Manaus. Quando estava fazendo as escavações para retirar adereços grades portas portões e lustres, encontrou um velho porão coberto de escombros, foi desenterrando aquele porão e descobriu uma escada. Dentro do porão além de ou-tras coisas estava um carro antigo em perfeitas condições. Ele não sabe como os antigos donos tinha colocado aquele carro dentro do porão pois não havia entradas e estava exatamente sob a casa, portanto não era uma garagem. Ele acha que o carro foi colocado lá ainda na construção da casa. Uma verdadeira relíquia que ele repassou para colecionadores. Antes de sair aproveitamos para comprar uma boina militar que até hoje ainda tenho.visitamos uma região belíssima de muitas cachoeiras, fizemos a “trilha da onça” tomamos banho em algumas cachoeiras passamos por pequenas pontes de madeira e corda suspensas sobre rios uma aventura típica da selva. Nessas andanças é muito comum encontrar algum ciclista viajando. Nessa não poderia ficar por menos . Próximo a Pres. Figueiredo encontramos o Antonio Carlos gaúcho que estava viajando com des-tino final a França. Tinha saído de bicicletas do Rio Grande do Sul, sozinho com mais de 35 kgs nos alforjes e conseguindo o custeio da viagem com assinatura de livro e com apoio de prefeituras e quartéis. A proposta dele era assistir a Copa do Mundo na França. Depois encontramos também um outro ciclista alemão o Martin que estava percorrendo as Américas, tinha saído do Ushuaia no extremo sul da Argentina e pretendia ir até o Alaska. No dia seguinte seguimos viagem para Manaus. Em Manaus eu sai para jantar e encontrei um outro japonês que estava também andando pelas Américas. Numa Yamaha 225cc Raid. A princípio eu achava que fosse o Konijiru mas não mas as condições de viagem praticamente as mesmas. Fizemos uma parada para descanso e no dia seguinte embarcamos para Belém, desta vez num barco mais confortável. Em terra firme tocamos para Natal. Nesta viagem rodamos aproximadamente 10.500 km e navegamos aproximadamente 4.000.
Natal - Caribe Venezuelano - Isla de Margarita.
Moto pronta;
Barco em Belém;
Hotel em Isla de Margarita;
Praia em Margarita;
Guyana LETHEM.
Estrada mão Inglesa;
Caminhão 4x4 BEDFORD;
Ponte de madeira;
Companheiro Valdenor na fronteira;
Reserva dos ìndios Waymiri Atroari;
Cruzando a Linha do Equador LAT 00°00'00"

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Barco em Belém;
Hotel em Isla de Margarita;
Praia em Margarita;
Guyana LETHEM.
Estrada mão Inglesa;
Caminhão 4x4 BEDFORD;
Ponte de madeira;
Companheiro Valdenor na fronteira;
Reserva dos ìndios Waymiri Atroari;
Cruzando a Linha do Equador LAT 00°00'00"

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sábado, 19 de agosto de 1995
terça-feira, 15 de agosto de 1995
domingo, 13 de agosto de 1995
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